Bem... mais um post "roubado"... hehehe.
Copiado do blog da Atrê, o "Conversa Atrevida", um blog recomendado, diga-se de passagem (geralmente com textos sobre sexo).

Segue o post dela:

[quote]
Dizem que religião é um tema que NÃO devemos discutir e eu concordo, por isso, não veja esse post como uma discussão da religião enquanto ‘fé’ e sim uma opinião pessoal sobre alguns atos e opiniões de HOMENS considerados “executores das leis de Deus”.

Dificilmente alguém que passar por aqui não vai ter lido algo sobre o caso da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e que teve interrompida, através de procedimento médico, a gravidez de quatro meses de gêmeos.
Infelizmente a violência que ela sofreu do padrasto e os traumas que toda a situação com certeza vai lhe trazer, acabaram sendo coadjuvantes diante da notícia de que a igreja, diante do fracasso na tentativa de impedir a interrupção de gravidez, excomungou a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto.
Ao justificar sua ação, dom José Cardoso Sobrinho disse que "aos olhos da Igreja, o aborto foi um crime e que a lei dos homens não está acima das leis de Deus”.
Eu poderia passar horas aqui desfiando um rosário de motivos porque atitudes como essa, a MEU ver, são interpretações de homens as vontades de DEUS (aliás já falei algo sobre como acho que Deus vê certas coisas num post sobre ‘casais gays ou heteros’) ou então podia encher o post de perguntas do tipo:
A igreja já excomungou quantos políticos ladrões de verbas da saúde ou das merendas escolares?

A igreja excomungou o padrasto dessa menina de 9 anos primeiro ou a violência sexual praticada por ele é uma ato mais tolerável pelas ‘leis de Deus’ do que o aborto que os médicos acharam necessário?

Por que nesse caso a igreja se expõe e em casos de pedofilia praticados por padres o mais comum são os superiores deles, quando cientes do fato, tratarem o assunto com descrição e normalmente a punição pro padre é a transferência de paróquia?

[...]

E fica aqui um trecho do artigo do Arnaldo Jabor que eu encontrei no site "Simples Coisas da Vida" sobre esse assunto que foi ao ar na quarta-feira no Jornal da Globo:
(...)
Mas quem fez as leis de Deus senão homens, como bispos e papas…
Foi uma lei de Deus como quando queimaram mulheres vivas como a Santa Joana D’Arc?
(...)A igreja é contra anticoncepcionais, é contra o homossexualismo, é desatenta para tantos casos de pedofilia que surgiram entre padres, assim como foi vacilante no caso daquele bispo que disse outro dia que não houve holocausto de judeus.
Os excomungados de Olinda não devem ter medo.
Deus está vendo e está com eles. (...)


Pela forma como eu SINTO Deus, também creio nisso.
E claro que você não é obrigado a concordar com a gente.
Se a sua opinião for baseada na fé que “Deus despertou dentro de você’ (que é diferente dos dogmas que a maioria aceita por comodismo ou por imposição) ou se são fruto das suas atitudes diante da vida, sem problemas.
[/quote]

Fonte: Conversa Atrevida

Esse é o primeiro vídeo que eu posto.
Achei bem interessante. Fala sobre a história da internet, a partir da necessidade inicial de "compartilhar informações".
Minha monografia teve um capítulo dedicado a esse assunto. ^^

Não é engraçado nem nada, mas deveras interessante. Espero que aprecisem.

30/01/2009

Luiz Royo

Um post falando um pouco sobre minhas preferencias... hehehe.

Well. Esse artista me foi apresentado pelo Vinícius, na época do RPG.

Texto da Wikipédia sobre ele:

[wiki]Luis Royo (Olalla, Calamocha, 1954) é um artista espanhol conhecido por suas pinturas sensuais e sombrias de mulheres e formas mecânicas de vida.
Produziu diversas pinturas por conta própria, assim como capas de jogos eletrônicos, CDs, revistas etc.

Royo cursou aulas de desenho, pintura e decoração em Saragoça.

Entre 1970 e 1979 trabalhou em um estúdio de design de decoração e interiores.
A partir de 1972 se dedica a pintura e desde 1977 publica sus primeros quadrinhos em diversos fanzines. Dedicando-se integralemte a esse tipo de produção durante a década de 80.[/wiki]

Royo também fez desenhos para a revista Heavy Metal.

Dê uma olhada no site oficial de Luiz Royo.

E aqui, um pouco do trabalho de Royo (clique nas imagens para ampliar), selicionado de minha pasta pessoal. Gosto especialmente das fotos com moças molhadas... >=D

24/01/2009

Que Deus é esse?

Retirado do blog Controle Remoto.

Não é "exatamente" o que eu penso, mas é bem próximo...
Enfim...
Uma postagem polêmica, porque achei o texto interessante. Espero que apreciem.

See ya.

[quote]Felipe Neto (do Controle Remoto) disse:

“God’s Will” - ou - “Vontade de Deus”, é um pensamento da era medieval, imposto numa sociedade onde a principal regra era o temor a uma crença monoteísta. O medo, o receio do castigo, a vida baseada na unidade bilateral: o certo e o errado, o sacro e o pecaminoso, o que levará para o céu e o que te levará para o inferno.

Era preto ou branco, inexistindo as inúmeras e infinitas variações de cinza. As verdadeiras interpretações da vida.


Baseados na expressão: “God’s Will”, o homem guerrilhou, matou, trucidou, invadiu, estuprou, condenou e marcou para sempre a história da humanidade. Mas sempre sob a vontade de Deus. E eu pergunto: que Deus é este?

Os séculos se passaram e, em grande parte graças ao Renascimento, o homem deixou de viver em temor pleno e exclusivo a Deus, para tornar-se mais antropocentrista, ou seja, baseado na própria existência humana. Maravilhado com seu próprio corpo, suas formas e sua maneira de pensar, independentemente da existência de Deus, pois afinal, temos o livre arbítrio.

Pois bem.

Não sei exatamente a linha tênue que marcou novamente como o período em que o povo ocidental voltou a ter uma fé cega e inexplicável. Porém, cada vez mais vemos o ideal “God’s Will” voltando com força pra cima da sociedade cristã.


Meu filho morreu: Vontade de Deus.

Minha namorada engravidou: Vontade de Deus.

Choveu: Vontade de Deus.

Secou: Vontade de Deus.

Estou com câncer no ânus: Vontade de Deus.

Estou lendo este post: Vontade de Deus.

Um cidadão pegou uma faca durante a madrugada, esfaqueou minha filha recém nascida dezoito vezes na cabeça e em seguida fez sexo com seu cadáver: Plano de Deus.

NÃO!


Há pouco tempo ouvi este terror: “O tsunami foi enviado por Deus como castigo para aquela sociedade pecaminosa”.

Meu Deus…

Quanto mais nos deixamos dominar por este tipo de idéia, mais regredimos em pensamento para o período medieval. Em breve, as guerras serão justificadas, a Faixa de Gaza se tornará pura e santa, as atrocidades serão sempre uma obra do Diabo, mas permitidas por Deus.

Será possível imaginar, somente por cinco segundos, que se Deus realmente criou o homem e tudo ao seu redor, ele o fez de forma que os acontecimentos ocorreriam independentemente de sua intervenção?

Que valor possui o livre arbítrio, se as resultantes são sempre aquelas definidas pelo poder superior?

Adianta escolher, viver e existir, se na realidade todos os atos seus e ao seu redor não são resultados de escolhas humanas?


Como Deus poderia ser estupidamente sanguinário, a ponto de matar milhões de inocentes, em busca de sustentar um argumento, consolidar uma idéia, provocar o pânico humano. Ou, como muitos afirmam: Testar a fé. Que tipo de ideal de teste de fé é este, que sacrifica crianças, animais e safras de alimentos, tudo para verificar se a fé do testado não deixar-se-á abalar.

Não faz sentido.

No livro de Jó, presente na Bíblia Sagrada, Deus permite que o Diabo mate sete rapazes e três moças, todos filhos de Jó, além de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Tudo para provar que a fé de Jó não se abalaria.

Pois eu novamente pergunto: Que Deus é este?!

Morreria você, agora, depois de todos os anos vividos e sonhos a realizar, somente para que a fé de seu pai fosse testada? Ah, eu chegaria lá em cima com muitas argumentações.

Mas, afinal, se Deus realmente é este facínora assassino, que mata e tortura psicologicamente em busca da fé cega, então com certeza acabarei no inferno, pois Neste não depositarei minha fé.


Até lá, minhas esperanças reinam na metáfora interpretativa da Bíblia. E, acima de tudo, na idéia de que a morte ou sobrevivência é uma resultante humana, assim como a chuva cai por força da natureza e os terremotos abalam por única e exclusiva falha nas placas tectônicas.

E se Deus ficou revoltado com este post e realmente for o que muitos fiéis pregam, acreditem, não viverei para o próximo. Ou então minha família morrerá como punição.

[/quote]

Hoje Malu, uma amiga de longe, me enviou uma poesia. Disse que lembra muito Gi e eu. Como achei linda, e a Gi também adorou, resolvi compartilhá-la com vocês, leitores fantasmas deste abandonado blog. ^^

Tu e eu

Tu e eu
Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobo
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.
Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.

Luiz Fernando Veríssimo

25/10/2008

Pra descontrair...

Amor é isso

Sexo é aquilo

E coisa e tal!

E tal e coisa!

Uh! Uh! Uh!

Ai o amor!

Hum! O sexo!

- Rita Lee





Bem... como estive meio entretido com o outro blog que criei, pra campanha de RPG - Diário de Campanha, acabei esquecendo de atualizar esse...



E nem comentei da mudança de Layout (créditos no rodapé do blog). Tudo bem que dei uma alteradinha e tals, mas a essência é a mesma. xD



Enfim...



E pra descontrair, a música que estou ouvindo no momento, da doidinha da Rita Lee. ^^



Amor e Sexo

Rita Lee


Composição: Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor



Amor é um livro

Sexo é esporte

Sexo é escolha

Amor é sorte...



Amor é pensamento

Teorema

Amor é novela

Sexo é cinema..



Sexo é imaginação

Fantasia

Amor é prosa

Sexo é poesia...



O amor nos torna

Patéticos

Sexo é uma selva

De epiléticos...



Amor é cristão

Sexo é pagão

Amor é latifúndio

Sexo é invasão

Amor é divino

Sexo é animal

Amor é bossa nova

Sexo é carnaval

Oh! Oh! Uh!



Amor é para sempre

Sexo também

Sexo é do bom

Amor é do bem...



Amor sem sexo

É amizade

Sexo sem amor

É vontade...



Amor é um

Sexo é dois

Sexo antes

Amor depois...



Sexo vem dos outros

E vai embora

Amor vem de nós

E demora...



Amor é cristão

Sexo é pagão

Amor é latifúndio

Sexo é invasão

Amor é divino

Sexo é animal

Amor é bossa nova

Sexo é carnaval

Oh! Oh! Oh!



Amor é isso

Sexo é aquilo

E coisa e tal!

E tal e coisa!

Uh! Uh! Uh!

Ai o amor!

Hum! O sexo!

É tão doce sonhar!... A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho....

- Pierrot, Sonho de Pierrot

Segunda parte do post anterior. Retirado do mesmo local.
Beijos e abraços.

Parte II:


PIERROT
Eu também, Arlequim, nesta vida ilusória, como todos Pierrots, eu tenho uma história, vaga, talvez banal, mas triste como um cântico...

ARLEQUIM, sarcástico:
Não compreendo um Pierrot que não seja romântico, branco como o marfim, magro como um caniço, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.

PIERROT
Debochado Arlequim!

ARLEQUIM
Branco Pierrot tristonho...

PIERROT
Teu amor é lascívia!

ARLEQUIM
E o teu amor é sonho...

PIERROT
É tão doce sonhar!... A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim. , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho....

ARLEQUIM, escarninho:
Esse amor tão sutil que teus nervos reclama só se aplica aos Pierrots?

PIERROT
Não! A todos os que amam! Aos que têm esse dom de encontrar a delícia na intenção da carícia e nunca na carícia...Aos que sabem, como eu, ver que no céu reflete a curva do crescente, um vulto de Pierrette...

ARLEQUIM, zombeteiro:
Eterno sonhador! Tu crês que vive a esmo tudo aquilo que sai de dentro de ti mesmo. Vês, se fitas o céus, garota e seminua, Colombina sentada entre os cornos da lua...Quanta vezes não viste o seu olhar abstrato nos fosfóreos vitrais das pupilas de um gato?

PIERROT
Essas frases cruéis, que mordem como dentes, só mostram, Arlequim, que somos diferentes. Mas minha alma, afinal, é compassiva e boa: não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa...

ARLEQUIM
Tua história, vai lá! Senta-te nesse banco. Conta-me: “Era uma vez um Pierrot muito branco...” A história de um Pierrot sempre nisso consiste... Começa.

PIERROT narrando:
“Era uma vez... um Pierrot... muito triste... “

Uma voz, na distância, corta, argentina, a narração de Pierrot.

A VOZ
Foi um moço audaz, que vejo
no meu sonho claro e doce,
O amor que primeiro amei..
Abraçou-me: deu-me um beijo
e, depois, lento, afastou-se,
e nunca mais o encontrei.

Num ser pálido e doente
resume-se o que consiste
o segundo amor que amei.
Ele olhou-me tristemente...
Eu olhei-o muito triste...
E nunca mais o encontrei!

Esse amor deu-me o desejo
daquele beijo encontrar.
Mas nunca, reunidas, vejo,
a volúpia desse beijo,
e a tristeza desse olhar...

A voz agoniza nos ecos. Pierrot e Arlequim tendem o ouvido procurando no ar mais uma estrofe.

ARLEQUIM
Essa voz...

PIERROT
Essa voz...

ARLEQUIM
Só de ouvi-la estremeço...

PIERROT
Eu conheço essa voz!

ARLEQUIM
Essa voz eu conheço...

Um sopro de brisa arrepia as plantas.

PIERROT
Escuta...

ARLEQUIM
Escuta...

PIERROT
Ouviste?

ARLEQUIM
Um sussurro...

PIERROT
Um lamento...

ARLEQUIM
Foi o vento talvez.

PIERROT
Sim. Talvez fosse o vento.

ARLEQUIM
Conta a história, Pierrot.

Pierrot continuando:

Numa noite divina, como tu, num jardim, encontrei Colombina. Loira como um trigal e branca como a lua.

ARLEQUIM
Era loira também?

PIERROT
Tão loira como a tua... Eu descera ao jardim quebrado de fadiga. Dançavam no salão...

ARLEQUIM, interrompendo:
... uma pavana antiga, e notaste ao luar a cabeleira crespa...

PIERROT
... a anca em forma de lira...

ARLEQUIM
... e a cintura de vespa!

PIERROT
Mãos mimosas, liriais...

ARLEQUIM
Em minúcias te expandes!

PIERROT
Um pé muito pequeno...

ARLEQUIM
Uns olhos muito grandes! Uma mulher igual à que encontrei na vida?

PIERROT, ofendido:
Enganas-te, Arlequim, nem mesmo parecida!
Era tal a expressão do seu olhar profundo, que não pode existir outro igual neste mundo! Felinamente ardia a íris verdoenga e dúbia, como o sinistro olhar de uma pantera núbia.

Esses olhos fatais lembravam traiçoeiras feras, armando ardis nos fojos das olheiras! Tão vivos que, Arlequim, desvairado, os supus duas bocas de treva e erguer brados de luz! Tripudiavam o bem e o mal nos seus refolhos.

ARLEQUIM, cismando:
Essas coisas também ardiam nos seus olhos...

PIERROT
Tive medo, Arlequim! Vendo-os, num paroxismo eu tinha a sensação de estar sobre um abismo. Não sei porque o olhar dessa estranha criatura era cheio de horror...e cheio de doçura! Eu desejava arder nessas chamas inquietas...

ARLEQUIM
Tendo o fim dos Pierrots?

PIERROT
Tendo o fim dos Poetas!
Aconcheguei-me dela, a alma vibrante louca, o coração batendo...

ARLEQUIM
E beijaste-lhe a boca.

PIERROT, cismarento:
Não...Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios...
Sempre o beijo melhor é o que fica nos lábios, esse beijo que morre assim como um gemido, sem ter a sensação brutal de ser colhido...

ARLEQUIM
E que disse a mulher?

PIERROT
Suspirou de desejo...

ARLEQUIM , mordaz:
Preferia, bem vês, que lhe desses um beijo!

PIERROT
Não. Ela olhou-me. Olhei...
E vi que, comovida, sentiu que, nesse olhar, eu punha a minha vida...


Um silêncio cheio de angústias vagas. Sob o luar claro as almas brancas dos Lírios evocam fantasmas de emoções mortas. Os spectros das memórias parecem recolher, como numa urna invisível, a saudade romântica de Pierrot...


ARLEQUIM, tristonho:
Essa história, Pierrot, é um pouco merencória...

PIERROT
A história desse olhar é toda a minha história.

ARLEQUIM
E não a viste mais?

PIERROT
Nem sei mesmo se existe...

ARLEQUIM, contendo o riso:
É de fazer chorar! Tudo isso é muito triste!

Tomando-o pelo braço, confidencialmente:
Entretanto, ouve aqui, à guisa de consolo: diante dessa mulher...foste um Pierrot bem tolo! Aprende, sonhador! Quando surgir o ensejo, entre um beijo e um olhar, prefere sempre um beijo!

PIERROT, desconsolado:
Lamentas-me Arlequim?

ARLEQUIM
Tu não compreendeste: choro não ter colhido o beijo que perdeste.



Menotti Del Picchia (Máscaras - Parte I), retirado de Álbum de Recortes do Brasil
Arte: Picasso (encontrada no mesmo site).